Você não é uma megera por executar a dívida de alimentos



Vera é mãe solo de Cris, de 4 anos. Téo, o pai, raramente vê a filha e demonstra pouco interesse em acompanhar sua desenvolvimento. Quando aparece, Cris estranha sua companhia e a convivência acaba não sendo agradável.


Recentemente Cris foi diagnosticada com uma doença que requer acompanhamento multidisciplinar, além de remédios e médicos não cobertos pelo plano, o que aumentou os custos. Ela avisou Téo e forneceu o contato dos profissionais.


A pensão – que já era insuficiente– deixou de ser paga pelo genitor.

Após alguns meses sem que ele repassasse nenhum valor à filha, Vera – muito constrangida - entrou em contato com ele. Explicou que nesses meses Cris não conseguiu dar sequência ao tratamento e que ela teve que pedir auxílio financeiro para seus pais.


Apesar de ter explicado a situação e justificado os gastos, Vera foi ofendida. Téo desligou falando que ela “só o procurava quando precisava de dinheiro”.

Mesmo bastante apertada financeiramente, Vera buscou uma advogada, que passou a intermediar a cobrança para que ela não fosse destinatária de novas grosserias. A advogada entrou em contato com o genitor e apresentou o valor do débito corrigido e formas de parcelamento para pagamento. Nunca obteve retorno.


Vera contraiu um empréstimo, pois precisava dar sequência ao tratamento da filha. Foi orientada pela advogada a executar a dívida de alimentos. Muito relutante, aceitou, já que havia tentado por outras formas e a pensão não era paga há meses.


O nome dessas pessoas foram inventadas por mim, mas essa história é verídica e acompanho diversos enredos similares.

A decisão de executar o genitor é, muitas vezes, difícil para uma mulher, mesmo que ela esteja sobrecarregada, endividada e exausta de dar conta sozinha da filha.


E apesar da culpa que muitas sentem ou de serem acusadas de estarem “perseguindo” o ex, nada disso é verdade.


A verdade é que existe uma criança privada de ter acesso a recursos indispensáveis ao seu desenvolvimento.


E uma mulher invisibilizada pelas demandas da maternidade solo.


Qualquer outra leitura dessa realidade é (mais uma) fantasia do patriarcado para justificar a irresponsabilidade paterna e culpabilizar mulheres.

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